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Coca-Cola usa garrafa de vidro para conquistar classe C

Muito popular até o início da década de 1990, as garrafas de vidro, que desapareceram dos pontos-de-venda com o surgimento das garrafas de plástico - as chamadas PET -, estão voltando às gôndolas dos supermercados. Em 2000, por exemplo, a Coca-Cola possuía apenas um modelo de vidro utilizado no Brasil inteiro. Esse cenário mudou. Hoje, a gigante de bebidas totaliza sete modelos de vidros e tem traçado um plano de substituição de todos os disponíveis no mercado por modelos mais leves e econômicos, que têm como alvo as famílias das classes C menos e D. "Estamos aumentando os investimentos em vidro", afirmou Marco Simões, diretor de comunicação da Coca-Cola.

"O nosso consumidor das classes A e B prefere conveniência, latas ou garrafas PET de 600 mililitros. Para as famílias de classe C menos e D a gente tem as embalagens retornáveis", disse Simões. Por conta disso, o executivo afirmou que o crescimento das embalagens retornáveis tem se destacado no Nordeste. "Nosso crescimento no Brasil é afetado pelo aumento da renda. O consumo está crescendo no Nordeste, nas regiões mais pobres."
Hoje, segundo dados da ACNielsen, cerca de 13% das vendas de refrigerantes da Coca-Cola no Brasil são em garrafas de vidro. Em 2006, a empresa registrou vendas de 7,4 bilhões de litros de bebidas não-alcoólicas, a maior parte desse volume de refrigerantes. As vendas em garrafas de 290 mililitros lideram entre as sete embalagens de vidro da companhia, representando 5% das vendas de refrigerantes.

Em todo o mercado brasileiro desse tipo de bebida, o vidro possui 12,3% de participação, segundo a Associação das Indústrias de Refrigerantes (Abir). As embalagens PET dominam o mercado com 79,8% do total, enquanto as latas ficam com 7,9%. Os dados são de dezembro de 2006.
Segundo Simões, a Coca-Cola possui modelos retornáveis específicos para a população de baixa renda, como as garrafas com preço marcado nas tampas. "São próprias para as periferias", disse.

Reciclagem

A vantagem que mais se destaca entre o vidro e a PET é a possibilidade de reciclagem. Segundo o executivo, cada garrafa de vidro é reutilizável 40 vezes, em média. Após as 40 reutilizações das garrafas de vidro, a empresa ainda pode reciclar a desgastada embalagem e utilizar da mesma maneira, o que não é viável com as embalagens de plástico - que não podem ser convertidas em novas garrafas. "No Brasil ainda é proibido usar PET reciclado para fazer novas embalagens, só podemos fazer produtos secundários como vassouras, tintas, entre outros", explicou Simões.

As embalagens de vidro utilizadas pela Coca-Cola estão atualmente no meio de um processo de mudança que começou este ano. De acordo com Simões, todas as garrafas do mercado serão substituídas por outras 20% mais leves nos próximos anos. "É uma garrafa mais eficiente sobre todos os aspectos. Esse modelo vai ser o novo padrão mundial, mas a substituição é lenta."

Segundo o executivo, a nova garrafa deve economizar até mesmo combustível, já que o transporte será facilitado. "Teremos economia de combustível, de procedimento. São milhões de garrafas. Tudo isso, a longo prazo, deve alavancar o negócio", afirmou. Simões contou que esse mesmo processo já aconteceu com as latas de alumínio, que foram substituídas por outras mais leves no final da década passada.

No ano passado, as vendas totais da Coca-Cola no Brasil somaram R$ 10 bilhões. Este ano, em volume, a empresa cresceu 8%, 22% e 16%, nos primeiro, segundo e terceiro trimestres respectivamente. As vendas da linha Coca-Cola (que inclui light, diet, zero e normal) atingiram 5,678 bilhões de litros este ano, volume 10% superior em relação a 2006. O Brasil foi o terceiro país a atingir essa marca. Antes, Estados Unidos e México já haviam alcançado volume semelhante.

Projeto

Se a Coca-Cola já aposta no vidro para ampliar sua participação na decisão de compra da população de baixa renda, a empresa pode contar com um empurrão do governo do Estado de São Paulo para ampliar ainda mais a penetração do vidro. O governo deve propor um projeto de lei que obriga as empresas que produzem e comercializam água mineral e refrigerantes a eliminar o uso das garrafas plásticas num prazo de seis anos. O projeto deve ser encaminhado no início de 2008.


22.01.2008, GAZETA

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